Você tem uma casa? Um lar? Quando você se sente desamparado, meio à parte do mundo, meio sem rumo, para onde você corre?
Estava pensando nisso depois de ouvir "Por enquanto" na voz da Cássia Eller... por mais que eu tenha onde morar (e agradeço isso a todo instante, pois um dos meus maiores medos é não ter mais onde morar, por alguma razão que ainda não sei ao certo explicar), eu não sinto que eu tenha uma casa, um lar. E creio que isso tem pouco a ver com o sentido de você ter casa própria, morar de aluguel ou mesmo morar na casa dos seus pais, ou tios, ou irmãos, ou seja, um lugar que ainda não seja de fato seu, um lugar onde você não possa colocar suas marcas particulares.
Um lugar onde você não possa colocar suas marcas particulares... isso é muito interessante, ou seja, quando começamos a expressar nossa personalidade, queremos expressá-la de vários modos. Um belo exemplo é como no mundo virtual temos possibilidades de arrumar nossos sites, como queremos, dentro do possível, cores, formas, fotos, tipos de letra, enfim, essas coisas. E é bem isso que temos vontade de fazer, ou que fazemos de uma maneira ou de outra e a isso chamamos nossa casa, nosso lar, nosso lugar: tornar esse espaço nosso, não no sentindo de posse, mas no sentido de pensar você também fazer parte dele e ele de você, como quando você gosta de um barzinho ou de uma boate, ou mesmo da companhia de amigos... quando você está bem seja num lugar que você gosta, ou seja com pessoas que você gosta, você diz se sentir em casa, não é? Pois é, é esse tipo de casa que estou falando, uma casa subjetiva, uma casa que seja sua, sem necessariamente o dinheiro ter de comprá-la... nem tudo que você comprou é seu e se você apenas pensa que é seu aquilo que você adquiriu por meio da grana, meu querido, minha querida, então você é muito mais capitalista do que pensava e ainda terá de repensar suas idéias, uma vez que o dinheiro acaba e alguns sentimentos também, porém estes demoram mais para acabar, e ao contrário do dinheiro, à medida que você gasta, geralmente terá mais e as coisas podem ser suas, sem você ter posto seu dinheiro nelas, desde que você ponha nelas suas marcas particulares que podem também ser invisíveis a incautos e só você entenda que são suas.
Eu, sinceramente, ainda não encontrei minha casa, porém por enquanto posso pensar que ela pode ser um lugar que ainda não conheço, ou pessoas que já conheço, mas nunca pensei que pudessem ser a minha casa, enfim, a casa não é um lugar onde moramos, mas quando nos sentimos bem... e eu sinceramente nunca tinha pensado nisso... e podemos pensar assim, por enquanto...
domingo, 15 de junho de 2008
quinta-feira, 5 de junho de 2008
As fases de cada um
Ontem mesmo eu ia escrever um texto extremamente pessimista sobre a vida, o viver, enfim, essas coisas que somos quase que obrigados a fazer se quisermos ainda continuar vivos. Nós temos escolhas e podemos escolher viver ou não. E quando falo assim, não é no suicídio direto e simples que penso, mas sim naquele tipo de suicídio que muitas vezes impomos a nós mesmos achando que esse é o necessário para viver. Quanta bobagem pensar assim e agir assim! E pior ainda: escrever sobre isso dando quase uma lição de moral, ou nem tanto, mas com o intento de acordar as pessoas em relação a este fato.
A questão é que somos feitos de fases. Não temos certeza de nada nessa vida, nem se vamos estar vivos amanhã e como estaremos. E todos somos assim. Não é privilégio (seria mesmo um privilégio?) de algumas poucas pessoas com certo grau de estudo ou mesmo de "iluminação" que umas se sentem na necessidade de pensar que têm, como se a luz escolhesse pessoas e ainda tivesse graus de intensidade ou não...
Mas, enfim o que acontece é que não sabemos quando estaremos bem ou mal. E somos todos diferentes. Não é bem bipolaridade. A não ser que todos sejamos um pouco bipolares que nem saibamos. E nem falha de caráter, assim como algumas pessoas insistem em falar (dizem agora até que cigarro é falha de caráter quando há pouco tempo se achava que era charme ou apenas um vício, refúgio para alguns que não vamos julgar aqui). Ou seja: todos estamos passíveis das mudanças de humor, ou melhor dizendo das fases ruins ou boas. Aliás, que só são ruins ou boas porque já incutimos nelas juízos de valor que elas mesmas não tinham. Humanizamos o que poderíamos ter de mais animal, de mais orgânico e de mais vivo. Ou animalizamos ainda mais nossa essência humana ao acharmos isso uma doença, uma loucura. Quando a loucura maior é mesmo não termos fases e nem mudanças e ficarmos estáticos. Como a primeira planta que pode ter ficado estática e por isso não a conhecemos: ela não evoluiu, ela não mudou, ela ficou como está e onde está e por isso morreu.
Ainda bem que nós mudamos, que somos voláteis, bipolares em parte (a ponto de não sermos necessariamente doentes), e temos fases. Essas fases não deixam de ter parcialmente a culpa de sermos um pouco o que somos e carregar nossa identidade mesmo que mutante, porque a vida muda.
A questão é que somos feitos de fases. Não temos certeza de nada nessa vida, nem se vamos estar vivos amanhã e como estaremos. E todos somos assim. Não é privilégio (seria mesmo um privilégio?) de algumas poucas pessoas com certo grau de estudo ou mesmo de "iluminação" que umas se sentem na necessidade de pensar que têm, como se a luz escolhesse pessoas e ainda tivesse graus de intensidade ou não...
Mas, enfim o que acontece é que não sabemos quando estaremos bem ou mal. E somos todos diferentes. Não é bem bipolaridade. A não ser que todos sejamos um pouco bipolares que nem saibamos. E nem falha de caráter, assim como algumas pessoas insistem em falar (dizem agora até que cigarro é falha de caráter quando há pouco tempo se achava que era charme ou apenas um vício, refúgio para alguns que não vamos julgar aqui). Ou seja: todos estamos passíveis das mudanças de humor, ou melhor dizendo das fases ruins ou boas. Aliás, que só são ruins ou boas porque já incutimos nelas juízos de valor que elas mesmas não tinham. Humanizamos o que poderíamos ter de mais animal, de mais orgânico e de mais vivo. Ou animalizamos ainda mais nossa essência humana ao acharmos isso uma doença, uma loucura. Quando a loucura maior é mesmo não termos fases e nem mudanças e ficarmos estáticos. Como a primeira planta que pode ter ficado estática e por isso não a conhecemos: ela não evoluiu, ela não mudou, ela ficou como está e onde está e por isso morreu.
Ainda bem que nós mudamos, que somos voláteis, bipolares em parte (a ponto de não sermos necessariamente doentes), e temos fases. Essas fases não deixam de ter parcialmente a culpa de sermos um pouco o que somos e carregar nossa identidade mesmo que mutante, porque a vida muda.
sábado, 24 de maio de 2008
Sobre não escrever
Quando eu lia coisas sobre autores que têm bloqueio, ou então o medo de se ficar em frente a uma folha em branco, eu achava uma bobeira... mas é porque eu não passava por isso e não imaginava o quanto poderia ser ruim... não vamos falar aqui sobre o ato de não escrever, é apenas um exemplo, mas sim sobre o ato de fazer certas coisas que as pessoas não esperam ou mesmo não entender os outros.
Como diz Sartre, "o inferno são os outros"... podemos entender inferno de várias maneiras, não sei como colocar aqui, mas chamaremos de aquilo que não entendemos, que não tem uma lógica compreensível à nossa mente ou mesmo aquilo que não seja sensível a nossos olhos e nossa pele. Inferno não é o desconhecido, mas o incompreensível e o nem sequer pendente de compreensão... (gostei das reticências hoje, perceberam?)
Às vezes me proponho a escrever. Fico momentos pensando, às vezes horas e dias e não sai nada... penso que se tivesse que sobreviver para isso, ou tinha morrido, ou tinha procurado outro emprego ou tinha me obrigado a escrever (e aí não sei se sairiam coisas boas... se bem que não sei se saem mesmo quando demoro...) e não sai nada... porque não tenho que me obrigar a escrever, eu ainda(pelo menos ainda) não preciso... assim como não precisamos saber viver... aliás "saber viver" é uma contradição em termos como diria Renato Russo, porque saber implica consciência e viver implica mais que consciência, implica experiência (e tudo junto e misturado), portanto é preciso viver. Mas será que viver já não é inerente ao respiro de cada ser que simplesmente não está morto? Penso que não... uma coisa é existir, outra é viver, parafraseando Oscar Wilde...
Vixi, citei tanta gente e ainda não disse nada... ou disse tanta coisa que confesso que me perdi nesta publicação, mas o que eu queria dizer é que não devemos nos sentir obrigados a nada. A obrigação não nos é aprendida, mas apreendida como algo imposto, que devemos fazer, e não como possilibidade, que podemos fazer se quisermos, se acharmos realmente necessário... portanto se eu quiser escrever, eu escrevo; se eu quiser trabalhar, eu trabalho; se eu quiser amar, eu amo; se eu quiser aceitar um amor, eu aceito; se eu quiser viver, eu vivo.
A escolha do não está implicíta. E pessoas que vivem (não que existem) sabem disso. Tampouco é necessário entender os outros, a não ser que você queira, e mesmo respeitar. Se você acha que o respeito é importante, legal... se não, não. Se você acha que julgar os outros é necessário, ótimo, se não não...
Mas também não quero que vocês me entendam, apenas quero que me leiam... e se não entenderem e se não me lerem, tudo bem, a decisão está com cada um... afinal, você é obrigado a fazer isso?
Como diz Sartre, "o inferno são os outros"... podemos entender inferno de várias maneiras, não sei como colocar aqui, mas chamaremos de aquilo que não entendemos, que não tem uma lógica compreensível à nossa mente ou mesmo aquilo que não seja sensível a nossos olhos e nossa pele. Inferno não é o desconhecido, mas o incompreensível e o nem sequer pendente de compreensão... (gostei das reticências hoje, perceberam?)
Às vezes me proponho a escrever. Fico momentos pensando, às vezes horas e dias e não sai nada... penso que se tivesse que sobreviver para isso, ou tinha morrido, ou tinha procurado outro emprego ou tinha me obrigado a escrever (e aí não sei se sairiam coisas boas... se bem que não sei se saem mesmo quando demoro...) e não sai nada... porque não tenho que me obrigar a escrever, eu ainda(pelo menos ainda) não preciso... assim como não precisamos saber viver... aliás "saber viver" é uma contradição em termos como diria Renato Russo, porque saber implica consciência e viver implica mais que consciência, implica experiência (e tudo junto e misturado), portanto é preciso viver. Mas será que viver já não é inerente ao respiro de cada ser que simplesmente não está morto? Penso que não... uma coisa é existir, outra é viver, parafraseando Oscar Wilde...
Vixi, citei tanta gente e ainda não disse nada... ou disse tanta coisa que confesso que me perdi nesta publicação, mas o que eu queria dizer é que não devemos nos sentir obrigados a nada. A obrigação não nos é aprendida, mas apreendida como algo imposto, que devemos fazer, e não como possilibidade, que podemos fazer se quisermos, se acharmos realmente necessário... portanto se eu quiser escrever, eu escrevo; se eu quiser trabalhar, eu trabalho; se eu quiser amar, eu amo; se eu quiser aceitar um amor, eu aceito; se eu quiser viver, eu vivo.
A escolha do não está implicíta. E pessoas que vivem (não que existem) sabem disso. Tampouco é necessário entender os outros, a não ser que você queira, e mesmo respeitar. Se você acha que o respeito é importante, legal... se não, não. Se você acha que julgar os outros é necessário, ótimo, se não não...
Mas também não quero que vocês me entendam, apenas quero que me leiam... e se não entenderem e se não me lerem, tudo bem, a decisão está com cada um... afinal, você é obrigado a fazer isso?
quinta-feira, 8 de maio de 2008
Eu sou louca e adoro ser assim!
Gente, peço aqui licença para fazer um comentário sobre novelas. Eu mesmo não as classifico como obras de arte, e sim obras de entretenimento. Mas não há como negar que elas praticamente já fazem parte de nosso cotidiano e quiçá de nossa cultura (pelo menos do ponto de vista midiático), até mesmo por que algumas são extremamente bem feitas. Pois bem, primeiramente quero desmitifcar a idéia de que comentar sobre novela é coisa de gente que fica na fila do banco e que não tem nada o que fazer. Até porque essas pessoas analisam tanto novelas, filmes que passam na tv, seriados, que poderíamos até dizer que só não são especialistas em comportamento humano porque não chegaram a estudar críticos e teóricos, mas não deixm de o ser, de uma maneira, até mesmo mias direta e simples (e por que não verdadeira?). Portanto fiquemos livres de preconceitos contra novelas e contra as pessoas que assistem novela. Porque, quando dá tempo, eu também dou uma espiadinha. Para que me fazer de falso puritano?
Falando em falso puritanismo, eu queria aqui ir ao tema do post propriamente dito: a personagem Maria Silvia, da novela "Duas caras". Eu não imaginava que ela seria uma vilã tão interessante! Existiram outras mais marcantes, é verdade, como a Nazaré, a Odete Roitmann, a Bia Falcão, a Perpétua, enfim uma infinidade nas novelas. Mas a Silvia não é de se descartar.
Ela é louca. Como quase toda vilã que se preze. No fundo, a gente sabe que essas vilãs só são tidas como loucas, pois agem segundo seus impulsos (para não dizer instinto, aliás algo humaníssimo)e têm coragem de fazer valer suas vontades. Isso, até certo ponto, é louvável. Sabemos também que para vivermos harmoniosamente em sociedade não podemos fazer valer todas as nossas vontades sem pensar no todo (as outras pessoas, o meio ambiente e toda aquela coisa), mas é muito interessante ver, mesmo numa obra de ficção, alguém se entregando às suas vontades, dizendo do que gosta mesmo de fazer, não se importando com o que as pessoas pensem.
Quando uma personagem, estupefato ao saber da idéia de assassinato que Silvia teve, disse: "Você é louca!" E ela, sem falso puritanismo: "Eu sou louca e adoro ser assim". Tá, a Silvia pode não fazer algo muito legal, tentando matar alguém, mas venhamos: precisamos, às vezes, de pessoas com essa fibra (não exatamente de loucura, mas até mesmo de verdade e auto-convencimento) para ainda termos esperança na vida.
Se bem que ter esperança na vida é uma frase muito falsa puritana (sem querer ser pessimista, mas é difícil termos esperança na vida. São duas palavras muito longínquas e até cansa pensar na combinação delas). Precisamos mesmo é de pessoas que apenas falem verdade o que pensam e querem. É isso que faz falta. Ai, meu Deus, depois as pessoas me perguntam porque sempre gosto mais dos vilões.... por que será, não?
Falando em falso puritanismo, eu queria aqui ir ao tema do post propriamente dito: a personagem Maria Silvia, da novela "Duas caras". Eu não imaginava que ela seria uma vilã tão interessante! Existiram outras mais marcantes, é verdade, como a Nazaré, a Odete Roitmann, a Bia Falcão, a Perpétua, enfim uma infinidade nas novelas. Mas a Silvia não é de se descartar.
Ela é louca. Como quase toda vilã que se preze. No fundo, a gente sabe que essas vilãs só são tidas como loucas, pois agem segundo seus impulsos (para não dizer instinto, aliás algo humaníssimo)e têm coragem de fazer valer suas vontades. Isso, até certo ponto, é louvável. Sabemos também que para vivermos harmoniosamente em sociedade não podemos fazer valer todas as nossas vontades sem pensar no todo (as outras pessoas, o meio ambiente e toda aquela coisa), mas é muito interessante ver, mesmo numa obra de ficção, alguém se entregando às suas vontades, dizendo do que gosta mesmo de fazer, não se importando com o que as pessoas pensem.
Quando uma personagem, estupefato ao saber da idéia de assassinato que Silvia teve, disse: "Você é louca!" E ela, sem falso puritanismo: "Eu sou louca e adoro ser assim". Tá, a Silvia pode não fazer algo muito legal, tentando matar alguém, mas venhamos: precisamos, às vezes, de pessoas com essa fibra (não exatamente de loucura, mas até mesmo de verdade e auto-convencimento) para ainda termos esperança na vida.
Se bem que ter esperança na vida é uma frase muito falsa puritana (sem querer ser pessimista, mas é difícil termos esperança na vida. São duas palavras muito longínquas e até cansa pensar na combinação delas). Precisamos mesmo é de pessoas que apenas falem verdade o que pensam e querem. É isso que faz falta. Ai, meu Deus, depois as pessoas me perguntam porque sempre gosto mais dos vilões.... por que será, não?
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domingo, 20 de abril de 2008
Somos humanos?
É impressionante como um caso policial e familiar teve uma repercussão tão grande no país todo. A morte de uma criança, não se sabe ainda por quem, sendo que o pai e a madrasta são alguns dos principais acusados. Tá, tudo bem, concordo que o caso foi extremo e tal, mas não querendo desmerecer o caso e nem o sofimento dos familiares e amigos da menina, é algo que infelizmente acontece muito. Não é a primeira e, provavelmente, não deve ser a última vez que algo similar acontece.
Tá certo também que não é só por isso que devemos nos acostumar à crueldade, mas também não sejamos hipócritas pensando e chorando por alguém que nem chegamos a conhecer, sendo que temos que pensar também nas coisas que na nossa vida não andam bem. E quando digo isso, será que estou sendo cruel também? Mas quando digo isso, não digo pensarmos apenas em nós mesmos (e assim sermos egoístas), mas sim nas pessoas que realmente amamos. Às vezes vemos na televisão um crime desses e ficamos horrorizados, quando na verdade, fazemos coisas piores em casa. Tá, podemos não matar ninguém da forma concreta, mas às vezes alguma palavra que dizemos fere muito alguém, ou mesmo alguma atitude que julgamos simples (e às vezes até é mesmo), mas para alguém que amamos não foi tão simples assim. De qualquer forma, temos que olhar mais para dentro de nós e de nossos grupos socias (família, amigos) antes de nos horrorozarmos com algo externo, o que é, primeiramente, muito fácil.
Antes de terminar, queria colocar mais uma pequena reflexão que na verdade dá título ao post: ser humano é ser "bom"? Mas o que é, então, ser "bom"? É muito complicado isso. O ser humano é muito complexo, ele não é apenas "bom". Além de "bom" ser juízo de valor. Algo pode ser "bom" para alguém e não tão "bom" para outrém. De qualquer forma, creio que não devemos ter medo nem vergonha do que sentimos, do que apenas sentimos: amor, ódio, inveja, amizade (ou falta dela), enfim, tudo é humano, e como disse um filósofo antigo que me esqueci agora o nome (rsrs... desculpe): "nada que é humano me é desconhecido" ou algo assim.
Se você não é tão "bom", mas é feliz assim, seja quem você é, ou acha que é...
Tá certo também que não é só por isso que devemos nos acostumar à crueldade, mas também não sejamos hipócritas pensando e chorando por alguém que nem chegamos a conhecer, sendo que temos que pensar também nas coisas que na nossa vida não andam bem. E quando digo isso, será que estou sendo cruel também? Mas quando digo isso, não digo pensarmos apenas em nós mesmos (e assim sermos egoístas), mas sim nas pessoas que realmente amamos. Às vezes vemos na televisão um crime desses e ficamos horrorizados, quando na verdade, fazemos coisas piores em casa. Tá, podemos não matar ninguém da forma concreta, mas às vezes alguma palavra que dizemos fere muito alguém, ou mesmo alguma atitude que julgamos simples (e às vezes até é mesmo), mas para alguém que amamos não foi tão simples assim. De qualquer forma, temos que olhar mais para dentro de nós e de nossos grupos socias (família, amigos) antes de nos horrorozarmos com algo externo, o que é, primeiramente, muito fácil.
Antes de terminar, queria colocar mais uma pequena reflexão que na verdade dá título ao post: ser humano é ser "bom"? Mas o que é, então, ser "bom"? É muito complicado isso. O ser humano é muito complexo, ele não é apenas "bom". Além de "bom" ser juízo de valor. Algo pode ser "bom" para alguém e não tão "bom" para outrém. De qualquer forma, creio que não devemos ter medo nem vergonha do que sentimos, do que apenas sentimos: amor, ódio, inveja, amizade (ou falta dela), enfim, tudo é humano, e como disse um filósofo antigo que me esqueci agora o nome (rsrs... desculpe): "nada que é humano me é desconhecido" ou algo assim.
Se você não é tão "bom", mas é feliz assim, seja quem você é, ou acha que é...
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sábado, 12 de abril de 2008
Funcionalidade
Quem nos tem acompanhado, sabe: eu já publiquei um post sobre "Produtividade" e coisas afins. O de hoje não será muito diferente, mas com uma preocupação específica: a formação ou a educação, como queiram.
Vi essa semana na televisão um comercial em que se dizia: "eu já sei ler e escrever, mas o que vai dizer se eu aprendi ou não é a Provinha tal....", não vou nem falar o nome, mas é um exame para alunos do primeiro ciclo do Ensino Fundamental (para quem não está habituado aos termos, é o antigo primário). Tá, tudo bem, eu acho legal avaliar os alunos, o ensino e tal, e é mesmo importante, mas vocês percebem como tem alguma coisa errada na frase que a aluna teve de decorar para o comercial de TV na tentativa de convencer os professores a motivar os alunos a participarem? Bem, se forem professores conscientes como esse tipo de propaganda (só pela propaganda, não pela prova em si), aí é que não deixariam seus alunos fazerem a prova mesmo, porque não dá para se avaliar alguém por uma prova!
Um aluno, um ser humano, é muito mais que uma simples prova! Ou seja: os resultados "práticos" de ler e escrever só serão válidos após ser feita uma prova proposta pelo governo? Quem preparou esta prova? Com que objetivo? Essas pessoas têm como pensar em todos os alunos (e as pessoas em formação mesmo) de maneira igual num país tão grande? É como numa sociedade em que se tem que provar ser funcional; se alguma coisa é boa, é porque funciona bem, não apenas porque tem bons objetivos ou coisas assim. Aliás o próprio termo "objetivo" é funcional demais.
Pessoas que não são ligadas diretamente à educação: desculpem por este post tão voltado para isto! Mas eu acho relevante a discussão que sempre temos que provar alguma coisa e fazer algo com alguma finalidade definida. Ou seja, perde-se a intuição. Mais do que isso: a naturalidade. E, quando se perde o que se é natural, a funcionalidade não pode salvar algo feito para ser artificial.
Vi essa semana na televisão um comercial em que se dizia: "eu já sei ler e escrever, mas o que vai dizer se eu aprendi ou não é a Provinha tal....", não vou nem falar o nome, mas é um exame para alunos do primeiro ciclo do Ensino Fundamental (para quem não está habituado aos termos, é o antigo primário). Tá, tudo bem, eu acho legal avaliar os alunos, o ensino e tal, e é mesmo importante, mas vocês percebem como tem alguma coisa errada na frase que a aluna teve de decorar para o comercial de TV na tentativa de convencer os professores a motivar os alunos a participarem? Bem, se forem professores conscientes como esse tipo de propaganda (só pela propaganda, não pela prova em si), aí é que não deixariam seus alunos fazerem a prova mesmo, porque não dá para se avaliar alguém por uma prova!
Um aluno, um ser humano, é muito mais que uma simples prova! Ou seja: os resultados "práticos" de ler e escrever só serão válidos após ser feita uma prova proposta pelo governo? Quem preparou esta prova? Com que objetivo? Essas pessoas têm como pensar em todos os alunos (e as pessoas em formação mesmo) de maneira igual num país tão grande? É como numa sociedade em que se tem que provar ser funcional; se alguma coisa é boa, é porque funciona bem, não apenas porque tem bons objetivos ou coisas assim. Aliás o próprio termo "objetivo" é funcional demais.
Pessoas que não são ligadas diretamente à educação: desculpem por este post tão voltado para isto! Mas eu acho relevante a discussão que sempre temos que provar alguma coisa e fazer algo com alguma finalidade definida. Ou seja, perde-se a intuição. Mais do que isso: a naturalidade. E, quando se perde o que se é natural, a funcionalidade não pode salvar algo feito para ser artificial.
segunda-feira, 7 de abril de 2008
Vamos falar do futuro?
O futuro nos parece muito estranho. É engraçado verificarmos como sempre (em todos os tempos) muita gente se questionou sobre isso. Não quero ser saudosista do presente, mas antes quando os casais se separavam, levavam juntos seus livros e cds (percebam que já estou colocando a época dos cds no passado). Agora os livros ainda existem fisicamente (por mais que muitos baixados da internet ou mesmo nos e-books que, graças a Deus, ainda não viraram moda, pelo menos não de onde eu venho), mas os cds: quem vai querer ficar com eles? Cada um tem seu mp3, mp4, mp5 ou sei lá o quê e cada um curte o que quer, em seu próprio momento. É quase uma masturbação! Vejam que estou apenas usando um exemplo, mas para percebermos como o mundo parece cada vez mais surreal e estranho.
É certo que o futuro (e mesmo o presente) nos dá coisas boas. Este blog mesmo e os milhões de blogs que existem por aí, são exemplos de coisas boas. Qual editor em sã consciência publicaria o que um maluco fala escrevendo às duas da manhã de cueca em frente à tela do computador? (se bem que há vários malucos que ganham dinheiro exatamente assim) Mas, de qualquer forma, é algo a que se pensar.
Mas há uma coisa que me intriga: as músicas podem não existir mais, mas as separações vão continuar, os motivos quase sempre são os mesmos e se não há os cds para dividirem, há coisas mais importantes, como sentimentos gastos... Blogs existem há pouco tempo, mas vontade do ser humano se expressar existe há muito tempo e mais do que se expressar: ser ouvido e, quiçá, ser respondido. Isso existia antes dos blogs e vai continuar existindo depois... Depois? O que virá depois dos blogs e das músicas baixadas pela internet? Sei lá, ninguém sabia o que viria depois do jornal e do LP. Só se sabia que as separações continuariam e a vontade de se expressar do ser humano também.
Portanto, acabamos não sendo nós que nos adapatamos ao mundo moderno, mas o mundo moderno acaba se adaptando a nós e quando falamos em futuro, vemos que o tempo não passa tão rápido assim, e que é apenas tempo. Um tempo perdido numa infinidade de facetas humanas. É verdade que o relógio não para. Até deixarmos de dar corda nele, ou esquecermos de colocar a bateria. O futuro não passa de uma invenção para termos a infeliz idéia de vivermos menos. Futuro? O futuro não é tão longe assim...
É certo que o futuro (e mesmo o presente) nos dá coisas boas. Este blog mesmo e os milhões de blogs que existem por aí, são exemplos de coisas boas. Qual editor em sã consciência publicaria o que um maluco fala escrevendo às duas da manhã de cueca em frente à tela do computador? (se bem que há vários malucos que ganham dinheiro exatamente assim) Mas, de qualquer forma, é algo a que se pensar.
Mas há uma coisa que me intriga: as músicas podem não existir mais, mas as separações vão continuar, os motivos quase sempre são os mesmos e se não há os cds para dividirem, há coisas mais importantes, como sentimentos gastos... Blogs existem há pouco tempo, mas vontade do ser humano se expressar existe há muito tempo e mais do que se expressar: ser ouvido e, quiçá, ser respondido. Isso existia antes dos blogs e vai continuar existindo depois... Depois? O que virá depois dos blogs e das músicas baixadas pela internet? Sei lá, ninguém sabia o que viria depois do jornal e do LP. Só se sabia que as separações continuariam e a vontade de se expressar do ser humano também.
Portanto, acabamos não sendo nós que nos adapatamos ao mundo moderno, mas o mundo moderno acaba se adaptando a nós e quando falamos em futuro, vemos que o tempo não passa tão rápido assim, e que é apenas tempo. Um tempo perdido numa infinidade de facetas humanas. É verdade que o relógio não para. Até deixarmos de dar corda nele, ou esquecermos de colocar a bateria. O futuro não passa de uma invenção para termos a infeliz idéia de vivermos menos. Futuro? O futuro não é tão longe assim...
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