Sem querer, há um tempo atrás, conhecendo uma pessoa na internet, ela me disse que eu lhe parecia metido. Eu sei que esse acontecimento já ocasionou um post, mas agora vou tocar de outro modo o assunto: aquilo me assustou também porque eu não percebia que eu falava muito de mim e gostava muito de mim mesmo. E mais: tudo o que eu falava, e gostava, e mostrava, tinha a ver comigo mesmo. Hoje, num encontro em que se falava sobre crônicas, percebi que fiquei calado, pois quase tudo que eu dissesse seria de uma experiência minha e não sabia até que ponto isso interessaria aos outros, já que os outros não são eu.
Isso me intrigou ainda mais, pois será que tudo o que vivi até agora teve a ver exclusivamente comigo? Ou as pessoas também se interessam (e gostam, possivelmente) de mim ou eu sou muito chato? Mas aí me veio uma outra indagação: se isso ocorre comigo, não poderia também ocorrer com mais alguém? Ou com todo mundo?
Enlouqueci neste pensamento: a inter-relação existe porque existem pessas diferentes, que vivem suas próprias vidas, não em função dos outros, mas em função de si mesmo. Ninguém vive para o outro, no máximo podemos viver para o mundo. E o mundo é composto por todos. Por todos e por cada um. Cada um com suas habilidades, cada um com seus talentos, cada um com seu senso de autocrítica e de autocentrismo no mundo.
E acho que nisso tudo ainda tem algo positivo: será que me achando demais (sendo um pavão, como brinco com alguns amigos), eu não chego a me conhecer demais? E, sendo assim não chego a conhecer mais a vida? E os outros? E até mesmo a você, que me lê?
Afinal, como disse Shakespeare, "somos feitos do mesmo tecido de que são feitos os sonhos"... ouso completar: eu sou feito do mesmo tecido que você...
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sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
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